quarta-feira, 11 de julho de 2012


O QUE É RESSURREIÇÃO

Do grego anástasin; do latim ressurrectione, significa a volta miraculosa à vida, levantar-se, erguer-se, despertar e acordar. É um ato extraordinário e miraculoso exclusivo de Deus sobre a morte física do ser humano, permitindo que este retorne à vida, isto é: a alma retorne ao corpo físico. Este ato do retorno à vida tem como objetivo a glória e exaltação do poder de Deus.
Jesus disse que na ordem da sua voz, os mortos sairão para a ressurreição. “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5:28-29). A partir da convicção da ressurreição de Jesus, os apóstolos pregaram com ênfase sobre a ressurreição dos mortos. Todos os apóstolos pregaram sobre a ressurreição de Jesus como a garantia da ressurreição dos mortos. “Doendo-se muito de que ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos” (Atos 4:2).
Paulo disse que Cristo foi feito as primícias dos que dormem. “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15:20, 23). Paulo deixa claro que Cristo foi o primeiro a ressuscitar dos mortos com o corpo transformado. E depois dele, os que morreram em Cristo ressuscitaram, essa é a ordem da ressurreição. Na verdade, os santos do AT que morreram em Cristo, ressuscitaram depois da ressurreição de Cristo.
“Os sepulcros se abriram, e os corpos de muitos santos que tinham morrido foram ressuscitados. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mt 27:52-53). Estes santos são os santos do AT que morreram em Cristo, isto é: Morreram fiéis a Deus crendo em suas promessas. Observem que eles só saíram dos sepulcros depois da ressurreição de Cristo. Esta ressurreição é com a transformação do corpo conforme Paulo falou: “Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: "A morte foi destruída pela vitória" (1 Co 15:54).

A verdadeira prosperidade incide em uma comunhão íntima com Deus. Um relacionamento em afinidade de acordo com os princípios bíblicos. Podemos perecber a deformidade que ao longo dos anos a verdadeira prosperidade vem sofrendo. Voltar à Palavra de Deus para entendermos estas minúcias e definições, é tarefa da igreja com o apoio dos professores de Escola Dominical .

O que chamam hoje de teologia da prosperidade na verdade é a teologia do Logro, troca, permuta e como a lição define “teologia da barganha”. Os dízimos, as ofertas, as contribuições com missão, construções e as ofertas alçadas, são incentivadas com o retorno do quíntuplo. As palavras bíblicas como: “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita;” (Mateus 6:3). Não são mais ensinadas.

Pedro insistentemente escreveu que em nossos dias, alguns fariam do evangelho e da igreja um negócio. “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita”. (2 Pedro 2:3).

É nossa tarefa combater essas heresias, e primar pela verdade.

Os livros das Escrituras que vocês chamam de "Velho Testamento" em hebraico é chamado de Tanach (Lê-se Tanarr como a pronúncia de um carióca ).

A Brit haHadashá ("N.T") são apenas escritos que dão testemunhos de que as profecias que apontavam para a vinda do messias para reconciliar o homem com YHWH se cumpriram, porém não completamente porquê falta ser implantado o reino do messias na Terra.

A Toráh compreende-se os cinco primeiros livros das Escrituras, que os teologos cristãos chamam de "Pentateuco".


Quinto Século da Era Cristã

Pois, assim como pelo pecado de um homem nós caímos numa miséria tão deplorável, assim pela justiça de um homem, que também é Deus, possamos chegar a uma bem-aventurança inconcebivelmente exaltada.

Agostinho

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fatos curiosos sobre a Bíblia

A palavra Bíblia vem do grego, através do latim, e significa: livros

A Bíblia já foi traduzida por mais de 1500 línguas e dialetos.

A Bíblia inteira foi escrita num período que abrange mais de 1500 anos.

É uma obra de cerca de 40 autores, das mais variadas profissões: de humildes agricultores, pescadores até renomados reis.

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com exceção de algumas passagens em Esdras, Jeremias e Daniel que foram escritas em aramaico.

O Novo Testamento foi escrito em grego.

A primeira tradução completa da Bíblia para o inglês foi feita por Wycliffe, em 1380.

Martinho Lutero foi o primeiro tradutor da Bíblia para a língua do povo alemão.

Na biblioteca da Universidade de Gottingen, Alemanha, existe uma Bíblia que foi escrita em 470 folhas de palmeira.

O Livro mais antigo da Bíblia não é o Gênesis, mas Jó. Acredita-se que foi escrito por Moisés, quando esteve no deserto.

O primeiro Salmo encontra-se em II Samuel 1:19-27, uma elegia de Davi em memória de Saul e seu filho Jônatas.

A Bíblia contém 1189 capítulos e 31102 versículos.
Ester 8:9 é o maior versículo da Bíblia.

No livro de Ester e no livro de Cantares não se encontra a palavra Deus.
O último livro da Bíblia a ser escrito foi III São João.

Há 3573 promessas na Bíblia.

O livro de Isaías assemelha-se a uma pequena Bíblia: contém 66 capítulos; os primeiros 39 falam da história passada, e os 27 restantes apresentam promessas do futuro.

Todos os versos do Salmo 136 terminam com o mesmo estribilho: "Porque a Sua misericórdia dura para sempre."

Judas foi o único dos doze apóstolos que não era Galileu.

Os versículos 8, 15, 21 e 31 do Salmo 107 são iguais.

Matusalém, o homem mais velho da Bíblia, morreu antes de seu pai, Enoque, que ascendeu ao Céu.

Ló era o pai de Moabe e Bem-ami, e também o avô dos dois porque "as duas filhas de Ló conceberam do próprio pai". (Gen. 19:36-38)

42 mil pessoas perderam a sua vida por não saberem pronunciar a palavra Shiboleth. (Juízes 12:5, 6)

Adão não teve sogra.

A única idade de mulher que se menciona na Bíblia é a de Sara (Gên. 23:1)

A primeira cirurgia foi realizada por Deus, quando tirou uma costela de Adão. (Gên. 2:21,22)

Além de Jesus, Elias e Moisés foram os únicos homens que jejuaram 40 dias e 40 noites. (I Reis 19:8 e Deut. 9:9)

A arca de Noé tinha três andares. (Gên. 6:16)

O Salmo 119 é o mais longo da Bíblia, é um acróstico. Os 176 versículos acham-se divididos em 22 seções de oito versos cada uma, correspondendo a cada uma das letras do alfabeto hebraico.

Em Gate houve um homem de grande estatura, que tinha 6 dedos em cada mão e em cada pé. (II Samuel 21:20)

Elias teve o privilégio de comer uma refeição preparada por um anjo.

Existem muitos dados curiosos relativos às estatísticas bíblicas. Um dos números que mais aparece na Bíblia é o 7 Entre os Hebreus este número era considerado sagrado e símbolo da perfeição.

Noé tinha 600 anos quando terminou a arca.

O sábio Salomão deixou mais de três mil provérbios.

A operação matemática mais rendosa foi efetuada por Jesus quando multiplicou 5 pães e 2 peixes para alimentar a mais de cinco mil pessoas e ainda sobraram 12 cestos cheios.

Judas vendeu a Jesus por 30 moedas de prata, equivalentes a uns 20 dólares.

Calcula-se que o presente que Naamã ofereceu a Eliseu, do qual Geazi finalmente se apropriou, equivalia a uns 48.000 dólares.

Paulo, o grande apóstolo dos gentios, foi decapitado em Roma por ordem do tirano Nero.

Em I Samuel 17:18, o queijo é mencionado pela primeira vez na Bíblia.

Em juízes 14:18 encontramos um dos exemplos mais antigos de enigma.

Dois reis dos Amorreus foram postos em fuga por vespões.

A última cidade mencionada na Bíblia é a cidade santa. (Apoc. 22:19)

Salmo 117 é o capítulo mais curto da Bíblia.

Salmo 118 é o capítulo que está no centro da Bíblia.
Há 594 capítulos antes e depois do Salmo 118.

O Versículo que se encontra no centro da Bíblia está em Salmo 118:

O livro maior é o dos Salmos, com 150 capítulos.

O livro menor é II João.

O capitulo maior é Salmo 119.

Descobrindo a localização do "Jardim do Éden"


O Jardim do Éden






“E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado”Gênesis 2:8

A mesopotâmia é conhecida como sendo o berço da civilização, pois é nessa região que a humanidade começou. Ali Adão e Eva foram formados.


O relato bíblico do livro de Gênesis nos fornece uma série de descrições geográficas, ricas em detalhes, servindo como uma preciosa fonte de pesquisas e informações que podem ajudar o estudante a localizar lugares e comprovar histórias.


Eu acredito que esse fato ocorre devido à intenção que o escritor e o autor (Moisés e Deus) têm de mostrar a veracidade e realidade dos fatos e eventos descritos no livro.


É importante notar que em toda a Bíblia, de Gênesis até o Apocalipse, sempre ocorreu uma preocupação de se detalhar os fatos, para que o leitor pudesse acreditar na sua veracidade.


No caso do Éden, muitas informações geográficas são dadas, e serão comentadas a seguir.


Mesopotâmia é uma palavra de origem grega e significa: “entre rios”. Esse nome foi dado devido à região estar localizada entre dois dos principais rios da região, o Tigre e o Eufrates.


É um oásis em meio a uma região desértica.O texto bíblico de Gênesis 2 nos dá informações importantes como:


1. Do Éden nascia um rio que se dividia em quatro braços: Pisom, Giom, Tigre e o Eufrates;


2. A etimologia (origem) das palavras usadas;


3. Terras e lugares citados no texto;


É importante observar que o texto de Gênesis, escrito por Moisés, foi desenvolvido apenas após o Dilúvio. Isto nos faz relembrar que antes da Torre de Babel, e conseqüentemente antes do Dilúvio todo o globo falava o mesmo idioma, todavia, as expressões citadas no livro de Gênesis, com relação ao Éden, têm sua origem em outros idiomas, que não o hebraico. Isso é de uma importância fundamental, como iremos ver.


Alguns nomes são citados no texto (Gn 2:8-14):


• Éden Nome que possui duas origens: a forma Suméria de Éden que quer dizer: "estepe", ou "campo aberto", ou o Semítico, denotando: "luxo" ou "delícia";


• Jardim Localizado ao Leste do Éden. Observe que o jardim era apenas uma parte territorial dentro da região denominada Éden;


• Um Rio Não denominado, vindo de fora do jardim e regando-o, dividindo-se em quatro braços;


• Pisom Primeira divisão do rio principal que vem até a terra de Havilá;


• Havilá Terra ou distrito;• Giom Segunda divisão do rio principal que vem até a terra de Cuxe;


• Cuxe Etiópia (Cuxe em hebraico). Uma terra ou distrito;


• Tigre Terceira divisão do rio principal que vem até a terra da Assíria;


• Assíria (Asshur em hebraico);• Eufrates Quarta divisão do rio principal;


Os lugares citados no texto recebiam outros nomes, no período pré-diluviano, mas esses nomes não são utilizados por Moisés. Os nomes utilizados pelo escritor eram os nomes modernos – da época. Eram os nomes do período pós-diluviano. Então, uma pergunta nos vem à mente: Por que isso ocorreu?


A resposta é simples: porque o autor queria que os leitores conseguissem identificar o local para ter a certeza da veracidade do texto.


Vejamos alguns exemplos:

"Assíria" (hebraico, Asshur) é um nome que os hebreus deram e que se origina de Asshur um filho de Sem, nascido depois do Dilúvio (Gn10:22). Então, no conceito hebraico o nome não existia antes do Dilúvio.


"Havilá" é um nome pós-diluviano (Gn 10:29).


"Etiópia" (Cush, ou Cuxe – Gn l0:6). Nome dado após o dilúvio, originário do neto de Noé, Cuxe, e filho de Cam.

Isso é uma evidência forte de que o escritor estava usando nomes conhecidos na época. Esse é um fato de importância fundamental, pois mostra conclusivamente que ao usar nomes conhecidos o escritor tinha a intenção que os leitores da época conseguissem entender com clareza a mensagem e reconhecer geograficamente a localização do Éden.


Daí a evidência conclusiva de que o lugar (Éden) era real. Se o escritor não tivesse a intenção de que o Éden fosse localizado, identificado, não teria dado tantas informações geográficas a respeito nem tão pouco teria usado os nomes conhecidos no período.


Precisamos entender, ainda, que o jardim do Éden foi destruído com o Dilúvio, mas o local denominado biblicamente de Éden continuava lá, não o jardim, mas o local.


Observe o fato de que o profeta Ezequiel usou o nome Éden para se referir a uma localidade existente em seus dias, em Ezequiel 27:23. Segundo esse texto o profeta Ezequiel localiza o Éden na região conhecida como Babilônia.

Na Bíblia, o jardim do Éden não é só o nome do lugar onde Adão e Eva viveram, mas também uma representação metafórica do Jardim de Deus, isto é, o lugar onde Yahweh mora: Is 51:3; Ez 28:12-15, 31:8-18.


A localização exata do Jardim do Éden permanece um mistério, todavia, o texto de Gênesis 2:8 afirma que Deus plantou o "jardim no Éden, da bando do Oriente", isto é, no Leste.


Essa afirmação aponta para um lugar ao leste de Canaã, que também possuía quatro rios: o Pisom, o Giom, o Tigre e o Eufrates (vv. 10-14).

O Tigre e o Eufrates como sabemos hoje em dia, sem sombra de dúvida, os dois rios da Mesopotâmia que possuem o seu curso inalterado ainda hoje. O Giom (possivelmente o hebraico para "esguichar") e Pisom (normalmente entendido como sendo uma forma do verbo semítico "pular para cima") são mais difíceis de se identificar.

Muitos estudantes acreditam que o Giom é o rio Nilo, e que Cuxe é associado com Nubia, ao sul de Egito. Se esta associação estivesse correta, todo o restante da descrição do local do Éden não poderia fazer o menor sentido, porque nenhuma parte dessa região converge com o Tigre e o Eufrates.

Outros identificam Cuxe como a terra dos Cassitas, ao leste do Tigre, também conhecido como Cuxe durante os tempos antigos. Esta teoria faz um sentido geográfico melhor. Finalmente, ainda há outra posição de alguns estudantes que acham que o Giom e o Pisom eram canais ou afluentes do Tigre e Eufrates.

Há alguns anos uma equipe de pesquisadores conseguiu através de satélite tirar algumas fotos que mostram o leito de dois rios de grande porte juntos ao Tigre e ao Eufrates, que acredita-se tratar do Giom e do Pisom.
Essa mesma região é conhecida pela sua terra de tom avermelhado. O interessante é que o texto bíblico relata que naquele lugar Deus fez o homem do pó da terra (Gn 2:7) e pôs nele o nome de Adão. É importante saber que a palavra Adão, no hebraico, significa: “Vermelho”.


Assim sendo, localiza-se o Éden na região da Mesopotâmia, exatamente como o relato bíblico descreve, e o jardim do Éden ao Leste, contudo, o local exato do jardim não se sabe ao certo, mas as evidências históricas e geográficas são indiscutíveis: Um dia ele esteve ali.






quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Resenha do Livro: A Bíblia e seus intérpretes



Resenha do Livro: A Bíblia e seus intérpretes. Lopes. Augustus Nicodemos. – São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004. Páginas 159-273.


Os Reformadores


A Bíblia na Reforma. Os reformadores colocaram a Bíblia como ponto central, e rejeitaram o conceito de hierarquia da igreja como autoridade máxima. Os reformadores utilizaram se do método de interpretação que busca interpretar as Escrituras pela própria Escritura visando harmonizar as aparentes contradições.


Características da Interpretação dos Reformadores


De acordo com os reformadores o texto possuía um só sentido, o literal; a não ser que o próprio texto indique o contrário. Enfatizavam a natureza divina das Escrituras e sua inspiração. Ao interpretar as Escrituras os reformadores fizeram uso de obras de comentaristas medievais, e dos pais apostólicos, como dos contemporâneos.


Escolásticos e Puritanos


Entendendo a Hermenêutica da Pós Reforma. Com a reforma foi introduzido o conceito do livre exame das Escrituras, e com isso inevitavelmente surgiram controvérsias e disputas teológicas, gerando confissões e tratados teológicos. Com o avanço da Contra-Reforma os intérpretes da pós reforma produziram materiais doutrinários para fortalecer seus membros, como por exemplo o Catecismo Menor de Lutero.


Os Puritanos. Era um movimento que buscava purificar a Igreja, pois consideram que a reforma não havia sido completa. Foram eles que elaboraram uma das maiores confissões de fé, a Confissão de Fé de Westminster.


Características da Interpretação dos Puritanos. Apesar da diversidade entre os próprios puritanos quanto métodos hermenêuticos, no geral seguiam os métodos dos reformadores.


A Interpretação das Escrituras na Modernidade


Impacto do Iluminismo na Interpretação da Bíblia. O Iluminismo se característica pelo sua rejeição a qualquer interferência sobrenatural, negando com isso qualquer possibilidade de existência de milagres nos relatos bíblicos. Negou-se a ressurreição de Jesus, e a veracidade histórica de grande parte da Bíblia. A razão passou a ser a medida da verdade em questões teológicas. O conceito de “mito” passou a tomar o lugar de passagens bíblicas.


Principais Metodologias Críticas. A crítica das Fontes tem como principal objetivo identificar e isolar as supostas fontes, e estudar a teologia dessas fontes. A crítica da Forma se preocupa com a pré-história das fontes escritas, portanto se preocupa com o estágio oral pelo qual o texto passou antes de adquirir forma escrita. A Crítica da Redação centraliza sua atenção nos redatores que combinaram as fontes para formar o texto escrito em sua forma final.


A Chegada da Pós-modernidade na Interpretação Bíblica


Características da Pós-modernidade. Para o pensamento pós-moderno não existe verdade absoluta, toda verdade é relativa. A era da ração falhou, e a era pós-moderna abandou a busca por verdades absolutas e fixas. É impossível ser neutro uma pesquisa, isso foi uma mera ilusão da era moderna. Defendem o inclusivismo.


O Impacto na Interpretação Cristã das Escrituras. Na interpretação pós-moderna adotou-se uma abordagem sincrônica onde a preocupação esta em entender o texto á luz de si próprio e da interação deste com o leitor. Advoga-se também uma pluralidade de interpretações, cada nova leitura de um mesmo texto permite novas interpretações. Vertentes Formadoras dos Intérpretes Pós-modernos.


A Vertente Teológico-Psicológica: Schleiermacher. Schleiermacher adotava o método histórico-crítico e seus resultados. Sua principal obra hermenêutica foi (Hermenêutica geral, 1809-1810). Onde ele acredita que o intérprete pode entender o texto melhor que o próprio autor, e a interpretação de um texto se baseia na compreensão e tem uma dimensão gramatical e outra psicológica, ou seja, o interprete se esforça para entrar na mente do autor. O Cristianismo nas mãos de Schleiermacher tornou-se puramente subjetivo.


A Vertente Exegética: Bultmann. Como liberal rejeitava o conceito de inerrância e inspiração das Escrituras, e adotava especialmente a crítica da forma em suas exegeses. Segundo ele Deus fala somente através de um encontro existencial no texto, e não por verdades históricas. Postula uma cosmovisão onde o mundo é um sistema fechado, onde não pode haver qualquer intervenção sobrenatural. O Jesus que temos nos evangelhos foi feito pelos discípulos, pois os evangelhos vêm vestidos de lendas e mitos sobre Jesus.


A Vertente Teológica: Barth. Saudado como o maior teólogo do século 20, Barth propôs uma nova hermenêutica e uma nova teologia subjugando os efeitos do liberalismo e do método histórico-crítico. Porém seu esforço foi bem sucedido em parte. Fez uma distinção entre a “inspiração verbal” e “inspiração literal”, a primeira seria correta e a segunda deveria ser abandonada, pois trata-se de uma tentativa de dar uma garantia miraculosa para o testemunho das Escrituras.
A Vertente Filosófica: Gadamer e Derrida. Gadamer reage contra o conceito hermenêutico predominante do século 19, onde acreditava-se poder alcançar uma verdade objetiva. Para ele a verdade é sempre relativa e subjetiva. A hermeneutiva deveria deixar de ser metodologia e tornar-se epistemologia ou filosofia do entendimento. Derrida é reconhecido como o pai do desconstrucionismo e do pós-estruturalismo, também dava mais valor ao texto do que à fala.


Os Intérpretes da Bíblia na Pós-modernidade


Estruturalismo Bíblico. Baseado no estruturalismo secular o estruturalismo bíblico. Ele confunde bastante o leitor normal, e mesmo os estudiosos.


A Morte do Estruturalismo. O estruturalismo é acusado de negar a liberdade do individuo e a sua participação no entendimento. Também é acusado de negar a importância da História no processo de formação de idéias.


Crítica da Narrativa, ou Nova Crítica Literária. A crítica da narrativa é essencialmente sincrônica, se preocupa com os aspectos literários da narrativa, focaliza-se na forma como os autores bíblicos narram à história.


Hermenêutica Reader Response. Esta hermenêutica reader response (reação do leitor), enfatiza o envolvimento do leitor na produção e na determinação do sentido de um texto. As diversas variaçõe da reader response, via de regra lêem o texto ideologicamente ou politicamente. Os principais exemplos são a teologia da libertação, teologia feminista, e teologia negra.


Desconstrucionismo. O desconstrucionismo é uma prática de leitura que parte da suspeita e do princípio de que todo texto, se autodestrói, pois ele representa os interesses de dominação de determinados grupos. Propõe a pluralidade da verdade.


Desafios Atuais aos Intérpretes da Bíblia


A Utilização do Método Histórico-Crítico. No Brasil o método histórico-crítico tem se mostrado favorável em alguns seminários e meios acadêmicos, e constantemente nos deparamos em situações em que temos que escolher em aceitar este método ou rejeitá-lo. Vejo que o grande desafio é saber usar as ferramentas proporcionadas pelo método, desvinculando-as de seus pressupostos que muitas vezes são contrários a uma postura teológica conservadora.


Resposta às Hermenêuticas Pós-modernas. Em resposta às hermenêuticas pós-moderna, tem se buscado resgatar a importância do autor para determinar o sentido do texto, juntamente buscar a intenção do autor. Conforme a hermenêutica pós-moderna a distância histórica e cultural é impossível de transpor. Mas porque o homem e o mundo permanecem basicamente os mesmos em qualquer época ou cultura, que podemos transpor o abismo histórico, temporal e cultural.


Diferenças quanto à Hermenêutica Reformada. É evidente que muitas das ênfases da hermenêutica moderna nada tem a ver com a hermenêutica da reforma. As hermenêuticas modernas negam a inspiração da Bíblia e seu caráter proposicional da verdade, e a hermenêutica da reforma aceita. Da mesma forma a hermenêutica moderna apregoa a obscuridade dos textos bíblicos, e a reformada admite a possibilidade de conhecermos o sentido das Escrituras. A hermenêutica moderna apregoa que um texto pode ter múltiplos sentidos, e a reformada acredita que o texto tem um sentido verdadeiro e pleno.


A Lingüística e a Hermenêutica Bíblica: Diálogo e Desafios para o Intérprete do Século 21
A Abordagem Lingüística e suas Técnicas Hoje. O campo da lingüística geralmente é dividido em: Sincrônica (descritiva) ou Diacrônica (histórica), Teórica ou Aplicada, Microlinguística ou Macrolinguistica. O campo sincrônico e Macrolinguística têm prevalecido sobre os demais. Na hermenêutica bíblica alguns pesquisadores têm se utilizado áreas da macrolinguística.


Algumas Áreas de Estudo da Macrolinguística. A pragmática tem como uma de suas características, analisar os fatores pragmáticos que influenciam nossa seleção de sons, construções gramaticais e de vocabulário dentro do recurso da língua. Já a Lingüística Textual tem como um de seus objetivos a análise básica do texto, buscando estudá-lo no seu contexto pragmático (produção, recepção e interpretação) e ativando estratégias para a construção de sentidos. Na análise do Discurso se tem como um de seus objetivos entender que todo discurso é ideológico e para sua análise devem ser considerados os aspectos lingüísticos e socioideológicos.


As Perspectivas da Interpretação Bíblica: O Diálogo com a Lingüística. Tem que se ter cuidado ao dialogar com áreas da macrolinguística, e acabar usando indiscriminadamente terminologias sem conhecer os pressupostos. E também relativizar o conceito de significado extraído do texto. Por outro lado encontramos contribuição para analises bíblicas com o uso da macrolinguística, tais como, destruir a idéia de que alguns autores bíblicos são “inferiores” devido ao não uso da forma culta da língua, pois o que existe para a macrolinguística são variedades diferentes explicáveis.


Observações


Augustus Nicodemos Lopes, se posiciona como teólogo reformado e escreve a partir deste pressuposto. Ao tratar sobre o período dos reformadores ele destaca que este período foi marcado pelos princípios de interpretação de Antioquia. Após ele demonstra a hermenêutica dos Escolásticos e Puritanos, partindo então para a interpretação das Escrituras na modernidade, e em seguida a chegada da pós-modernidade na interpretação bíblica. Segue-se no capítulo 14 uma análise dos principais intérpretes pós-modernos com suas vertentes.


Ele da atenção especificamente aos interpretes da Bíblia na pós-modernidade, e a maneira como alguns intérpretes analisam os textos bíblicos. Augustus reconhece que existem aspectos positivos nas hermenêuticas pós-modernas, mas na grande maioria de suas conclusões nada se aproveita, seguindo a linha reformada do autor. No capítulo 16 que considero muito importante ele trata dos desafios atuais aos intérpretes da Bíblia. Considero importante devido estarmos vivenciando em muitos seminários teologias propagadas na atualidade que se alicerçam sobre as hermenêuticas modernas e pós-modernas, sem ao mesmo analisar e questionar seus pressupostos.


Concluindo sua obra ele insere um apêndice de Robério Basílio, buscando tratar sobre a lingüística e sua relevância para a hermenêutica bíblica. Neste apêndice Robério demonstra o déficit em que as obras de hermenêutica estão ap ignorar a lingüística como meio de análise dos textos bíblicos.


No geral a presente obra de Nicodemos é relevante para os dias atuais, especialmente para aqueles que crêem ser a Bíblia um livro inspirado e divino. Ela vem acrescentar ao meio evangélico na compreensão através da história da interpretação Bíblica.