quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O SENHOR DOS EXERCITOS PARTE FINAL


Agora, deste círculo profético, tendo também se apropriado da expressão tuabc hwUhyi, ensina nos diversos contextos de uso que Deus não só comanda exércitos mas visa também sua habitação com os homens "ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do SENHOR" Ag.1:2. Observa a vida comum do seu povo, "vejam aonde os seus caminhos os levaram.Vocês têm plantado muito e colhido pouco. Comem mas não se fartam. Bebem, mas não satisfazem..." (1:5). Quer que o povo trabalhe corajosamente porque Ele, o SENHOR, está com eles, seu povo, (Ag.2:4,5). Neste passo Ele mostra que o Deus, SENHOR dos exércitos, que comanda as tropas e os batalhões, é também o Deus da aliança. Ele comanda os poderes da natureza e dirige tudo para a Sua glória, (Ag.2:6-9),"...Dentro em pouco tempo farei tremer o céu, a terra, o mar e o continente". Lidera os exércitos, a riqueza das nações (Ag. 2:6-9), o "exército" de sacerdotes, (Ag. 2:10-18), lidera tronos e destrona reis (Ag.2:20-23).

Zacarias usa também a expressão "tuabc hUWhY i" em contextos específicos que nos leva a entender que a usava com um sentido novo e muito mais amplo. Na chamada ao arrependimento, Zc. 1:3; 1:4; na penalidade aplicada ao seu povo, Zc. 1:6; na penalidade aplicada outros povos, Zc 1:14,15; na reivindicação de sua presença, Zc.2:9; na confirmação de seu senhorio sobre os exércitos, mas também sobre suas próprias leis, Zc. 3:6; na promessa de perdão, Zc.3:9; na antecipação da convivência harmoniosa e prazerosa, Zc.3:10; na restauração da confiança, Zc.4:6("não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito"); na reconstrução do templo do SENHOR, Zc. 6:12; na demonstração do conhecimento da vida privada do seu povo, Zc. 7:4;8-9; na exigência da retidão do povo, que precisa fazer o bem, Zc.7:10; na comunicação da alegria que terá a cidade de Jerusalém, Zc.8:4-5; na purificação do seu povo, eliminando ídolos remanescentes, Zc.13:1-2; na proclamação de sua majestade como rei e de sua santidade como Deus, respeito e adoração, Zc.14:16-19.

Malaquias, o último profeta escritor do cânon sagrado, também utiliza aquela expressão de modo mais amplo, mas dentro da compreensão do círculo profético do pós-exílio. Para ele Deus quer que zelam pelo seu nome, Ml. 1:6; no cuidado com o tipo de oferta ao Senhor, Ml.1:8; no alerta que faz por conhecer o coração do homem, Ml.2:1-2; na condução de vida privada, Ml.2:14-16; nos contextos também da ação social, Ml.3:5 na comunhão restaurada com o Senhor, Ml.3:6; na honestidade concerne aos bens materiais, Ml.3:8-11; na rememoração das bênçãos como fruto da fidelidade individual, Ml.3:11,12; na convicção de que o povo de Deus é especial porque feito pelas mãos do Deus que faz, Ml.3:17-18; nas promessas de sua vinda e da restauração final, Ml. 4:1-5.Conclusão:

Podemos inferir do contexto vivencial, da incidência de uso e dos contextos onde a expressão apareceu nos escritos de Ageu, Zacarias e Malaquias, que a compreensão que eles tiveram do SENHOR, Deus dos exércitos, fundamentada na reflexão profunda sobre os acontecimentos da época, foi a de que Deus não é tão somente Comandante dos Exércitos, mas Senhor da vida em todas as suas peculiaridades e detalhes. A expressão, portanto, na compreensão deles e no uso que dela fizeram, toma um sentido novo, alcançando uma amplitude inalcançada até então. Este entendimento teontológico e novo na reflexão teológica deles os levou a empregá-la nos mais diversos contextos, o que nos leva a pensar na profundidade da reflexão teológica pós-exílica e nas suas implicações éticas hoje. Pois, eles nos ensinam pelo contexto de uso da expressão que o Senhor é soberano sobre os exércitos da terra, do céu, e do coração do homem que se diz submisso a Ele. Nada, nenhum acontecimento da vida do crente, está fora do alcance da soberania do SENHOR dos exércitos. É mais fácil vencer um exército do que ganhar o coração de um homem. É, exatamente aí que o Senhor também domina e rege.

O SENHOR DOS EXERCITOS PARTE II




Porquanto que isto seja verdade esta conotação não se restringe a este comando de tropas militares, como diz John Hartley, bem fundamentado biblicamente, "na verdade afirma o governo universal de Javé, que abrange cada força ou exército, tanto celeste, quanto cósmico ou terreno" (Hartler, 2001:1258). Isto significaria a supremacia do Deus de Israel sobre os outros deuses. A compreensão sobre os outros deuses. A compreensão sobre este Deus ficaria mais ampla, porque o Deus guerreiro seria também o Deus Supremo. Nenhuma nação na terra poderia nada contra o deus de Israel. Nem o Egito pode, nem Amon, nem Moabe, nem as nações cananéias, nem qualquer outra nação. Os poetas hebreus contaram essa glória:

"Pede-me, e te darei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade. Tu as quebrarás com vara de ferro e as despedaçarás como a um vaso de barro. Por isso, ó reis, sejam prudentes; aceitem a advertência, autoridades da terra"

Não há exército que possa com o Deus de Israel. Ele é o Deus Supremo, Salmo 46: 9 – 11.

Nesta direção, Deus rege a ordem da terra e do céu. Essa harmonia terrena e celeste é comandada por deus, o Deus de Israel. Por isso é dito que ao final da criação Deus é autor de tudo criado sobre a terra e no céu: "E foram terminados os céus e a terra e todos os seus exércitos" (Gen. 2:1). Não há como fazer um corte entre a produção literária e a cultura de onde o texto emergiu, nem como desligar a criação da conotação da experiência vivencial. É evidente a origem das onomatopéias, do "tic-tac" do relógio ao verbo "tictatear". Não se pode omitir o barulho do vento nas rochas das montanhas e montes de Israel com o som da palavra "vento" em hebraico HWr (Ruac) Há toda uma fundamentação vivencial da formação dos conceitos, como diz Humbolt "nada passa pela intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos" __ Embora os sabores são diversos, e haja o amargo e o doce , o doce e o azedo, há um fundamento comum: as papilas gustativas.

Como o nome de Deus na descrição da criação foi ~ihla? Porque sua origem é de hla, que significa "força", "autoridade", "poder". Nenhuma palavra se adequaria melhor àquela narrativa que descrevia as ações de um deus que para criar teria que ter "poder". Como o nome de Deus nos textos que falam da comunhão e da convivência é hUwhiy ? Porque é um nome que implica proximidade, aproximação, presença.

Como a expressão referente ao Deus das batalhas é twabc hUwhiyi? Porque nenhuma outra expressão iria implicar no sentido necessário para expressar do Deus que luta pelo seu povo. É esse majestoso deus, temível e guerreiro, que comanda Israel.

O uso sincrônico da expressão :

Façamos, agora, um corte epistemológico no uso da expressão, levando em conta o contexto histórico, no qual os profetas se apossaram daquela expressão conhecida comumente, para dar-lhe um sentido especial. Sendo isso feito especialmente no círculo dos profetas pós-exílios. A compreensão que esses homens de Deus tiveram do Deus deles, naquele momento difícil da vida do povo, fica marcada insistentemente nos seus escritos, onde se registra uma incidência de uso jamais constatada nos outros escritos, também sagrados, dos descendentes de Israel.

Os últimos três profetas escritores pós-exílicos tiveram como contemporâneos, entre tantos outros, Esdras e Neemias. Este usa com freqüência a expressão ~imsh ihla hUhi(YHWH Deus dos céus) como o nome do Deus do seu povo. Faz uso também do nome mais comum e universalizado ~ihla, como aquele que está em Jerusalém (Ne. 1:3). Conquanto esteja em Jerusalém, o Deus dos descendentes de Israel é o Deus também do céu. Este sentido é o que também entendiam alguns profetas pré e exílicos, como é o caso de Isaías (Is.10:5-4;47;37:16) (Jr. 10:16, etc). Deve-se levar em conta, na escolha deste título para Deus, o próprio contexto situacional de Neemias, que vivia como um funcionário do palácio do rei dominador do mundo mais conhecido de então. Ambiente que não poderia ser desconsiderado com todas as expressões próprias da função exercida no seu âmbito vivencial. Esdras também usa uma expressão, podemos asseverar, "politicamente correta", Larsy ihla(Deus de Israel), pois afirmar o Deus de Israel não seria negar os deuses das outras nações, seria afirmar um entre outros, embora considerando o seu Deus como o maior, o mais forte, o mais importante. Apesar de todo o exemplo de vida consagrada e de dedicação profunda a Deus e do próprio ambiente, onde exerciam as suas atividades eram necessários os cuidados e requintes diplomáticos devidamente aplicados no cotidiano da vida intrincada da política interna e externa. Neste contexto vivencial as possibilidades de reflexão teológica eram praticamente reduzidas. A preocupação aí era mais de conservação do poder, manutenção do "status quo", de uma ação diplomática adequada, para evitar o confronto externo em falência interna. Daí o cuidado e a diplomacia de Esdras e Neemias, os quais se referiram a Deus de um modo bastante conveniente e cuidadoso.

No entanto, isto não ocorreu no círculo profético que foi formado no cativeiro. Nesse contexto o pensar era livre dos obstáculos da diplomacia política. Entre os profetas, a expressão twavc hUwhy foi tomada com um sentido bem mais amplo do que o até então conhecido. Fica evidente que a incidência de uso é amplamente maior do que em qualquer outro período da história da elaboração dos textos sagrados. Ageu, Zacarias, Malaquias e outros profetas que não escreveram, mas que faziam parte do círculo profético na Babilônia, se apossaram da expressão acima e a usaram para comunicar a compreensão que tiveram de Deus naquela situação aflitiva, que é a de estar no cativeiro, numa terra estrangeira, numa situação incômoda. É, exatamente, aí que surge a indagação a respeito da situação real de vida: por que fomos expulsos de nossa pátria ? O que nosso Deus tem a ver com tudo isso ? Como compreender um Deus que permite tal mudança? Por que o sofrimento da guerra e da deportação humilhante ? E perceberam que Deus é mais do que comandante dos exércitos. Mais do que autoridade sobre os astros do céu. Ele é soberano sobre todos os aspectos da vida do seu povo. Ele não seria somente o i (Gn.22:14, "Senhor proverá"). O ("Senhor é minha bandeira", Ex.17:15); o ("Senhor Deus é nossa justiça", Jeremias 2:1); o ("Senhor é paz", Juízes 24:6); ("Senhor que está lá") nem o (altíssimo); (o que provê); como o vê Isaías amplamente em seus escritos, mas, sendo esta expressão enriquecida pela experiência do cativeiro, lida e relida refletidamente por um grupo de homens preocupados e empenhados em interpretar a História para seus contemporâneos. Sem dúvida, esta era uma função bastante conhecida pela comunidade israelita e esperada por eles. Esta era uma expectativa arraigada na mentalidade dos ouvintes dos profetas: o que Deus fala na História ? o que significa a interferência do Deus que age, que se move de sua imutabilidade e de modo suprarracional, se neste de temporalidade para tangenciar a existência do seu povo e de sua História ? Quem é esse Ser que se revela, mesmo fora das possibilidades racionais ? E quando o faz, até que ponto interfere ? É sobre isso que refletiam os do círculo profético, visto que os que não pertenciam a esse círculo não tinham interesse nesse tipo de reflexão. Suas preocupações eram outras. Lícitas, mas outras. Pode acontecer o que ocorreu com Marco Aurélio, estóico do último período do Estoicismo Antigo, que era guerreiro e filósofo. Mas, o mais natural e comum é o que aconteceu no Cativeiro: homens como Daniel, Esdras, Neemias e outros produziram para os governos, tiveram uma ação fundamentada na política; homens como Ageu, Zacarias e Malaquias e outros produziram para o povo uma reflexão interpretativa, teológica, fundamentada no pensar inquiridor sobre o sentido da História do povo, do qual faziam parte.

ESTUDO EXEGÉTICO BOBRE A EXPRESSÃO O SENHOR DOS EXERCITOS PARTE I




Aqui está um interessante estudo exegético sobre a expressão o SENHOR dos exércitos e o que ele quer realmente significar para os israelitas.
Na leitura dos livros dos profetas pós-exílicos, Ageu, Zacarias e Malaquias, somos confrontados com uma evidência contundente: a expressão twabc hwhy" (Adonai tsevaot) é um dado lingüístico marcante naqueles livros. Assemelha-se a um "ornamento barroco" em cada página de cada um desses profetas tamanha é sua repetição insistente.

Como é sabido por todos os que trabalham na área da produção de texto, nenhum texto é neutro. Nenhum é imparcial, nada que se coloca num texto é arbitrário, cada pequeno elemento, por menor que seja é intencional. Portanto, surge a indagação: por que este uso insistente? Por que eivar cada página do texto com a mesma expressão? Por que ela foi tão usada pelos profetas neste período, e se por eles? Por que os contemporâneos dos profetas pós-exílicos que atuaram em outra área da atividade, mesmo sendo israelitas, não se apossaram da expressão? Os dicionários e enciclopédias especializadas não ajudam muito, pois, suas colocações não levam em conta a incidência do uso pós-cativeiro, e a definem como uma referência ao domínio de Deus sobre os exércitos da terra e do céu. Este artigo levanta uma hipótese sobre tal fenômeno lingüístico.

O homem é essencialmente um ser da linguagem. Não é sem razão que Heidegger ¹ afirma: " a linguagem é a morada do ser". Desde tempos imemoriais o homem está criando um mundo paralelo ao mundo do objetivo e concreto que é sua interpretação dele, o mundo da linguagem ². È através dela que o homem se situa no mundo das coisas. Das coisas abstraímos atributos, e as classificamos; tanto em termo de consistência e substancialidade como no nível da exegética. Neste sentido, e só assim, pode-se viver contextualizado na cultura e determinado por ela, até certo pronto. São as palavras que constituem as coisas ³ ao nosso redor e nos encaminham a elas. São o nosso contato, o que tangencia a realidade da "res extensa" cartesiana.

O mundo criado pela linguagem não é perfeitamente superposto ao mundo do cotidiano. A superposição é falha e as arestas desencontradas, sobram ou faltam as margens, que parecem nunca poderem ser justificadas. Mesmo assim, pode-se referir ao momento da enunciação primitiva e originária como um ponto de partida estático, e, acrescentar-se um momento da que seja não primitiva e originária, mas também continuadora de um desenvolvimento mais longo. Assim sucede com alguns nomes de Deus. Ele tem muitos nomes. Todos resultado da visão antropocêntrica, interpretativa, oriunda da perspectiva humana. Tudo isto é natural da linguagem, da sua origem e continuidade.

Procura-se então uma possível conotação da expressão hebraica " twabc hwhy i" (Adonai Tsevaot - SENHOR DOS EXÉRCITOS) na compreensão que os profetas pós-exílicos tiverem de Deus a partir da leitura que fizeram da interferência Dele na história do povo hebraico.

O uso diacrônico da expressão - A expressão já era conhecida dos profetas e do povo. Seu uso, esporádico, pode ser constatado no percurso da história em vários momentos e situações diversas. A primeira vez que ela aparece é em I Samuel 1:3. Nesta instancia o sentido parece ser direcionado ao mais comum, que é o de que ele é o verdadeiro comandante dos exércitos de Israel. Como diz John E. Hartley no artigo que escreveu para o Dicionário Internacional de Teologia do antigo Testamento."

Esse divino aparece pela primeira vez em I Samuel 1:3. Parece que surgiu no final do período dos juízes e nas proximidades do santuário de Siló, onde a arca da aliança estava abrigada. A arca simbolizava o governo de Deus, pois afirmava-se que ele está entronizado entre os querubins (I Samuel 4:4 cf. Salmo 99:1) Este título certamente contém a afirmação de que é o verdadeiro comandante dos exércitos de Israel .

E era natural e espontâneo o pensar nesta direção dentro de uma comunidade inserida num mundo profundamente imerso na religiosidade, e na qual eram abrigados muitos deuses, todos eles guerreiros. Guerreiros valentes que lutavam cada um pela nação que as escolhiam. Nas guerras, a nação que vencia, vencia o deus dela; o deus que vencia, vencia a nação dele.

Isto fica claro em várias instâncias das Escrituras. Tomemos dois exemplos que evidenciam este fato: As pragas antes da libertação do povo israelita do Egito. Tais pragas não foram expressões de um deus tirano e maligno, pleno de sadismo, vingativo, que se alegrava em atormentar os egípcios para vê-los sofrer. De maneira nenhuma! Demonstram, ao contrário, o poder da intervenção de Deus e o seu poder sobre os deuses do Egito, ARA Exodus 18:11 agora, sei que o SENHOR é maior que todos os deuses, porque livrou este povo de debaixo da mão dos egípcios, quando agiram arrogantemente contra o povo.

Outro trecho, também claro sobre este conceito, o que se encontra em Isaias 36:18 – 20, onde está registrado o desafio que Senaqueribe lança sobre Israel e sobre o Deus de Israel, quando se referem, os seus enviados, aos deuses humilhados de nações humilhadas e conquistadas por Senaqueribe:

"Não deixem que Ezequias os engane quando diz que o Senhor 5 os livrará . Alguma vez o deus de qualquer nação livrou sua terra das mãos do rei da Assíria? Onde está os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Eles livraram Samaria das minhas mãos? Quem dentre todos os deuses dessas nações conseguiu livrar a sua terra? Como o SENHOR poderá livrar Jerusalém das minhas mãos?Não há como não considerar a mentalidade de então como uma mentalidade também do povo de Deus. A grande diferença residia na proximidade de Deus. Foi Ele que com "mão forte e o braço estendido" libertou o povo que estava prisioneiro no Egito, guiou o povo pelo deserto: fez maravilhas à vista deles, os protegeu com a nuvem durante o dia, os iluminou com o fogo durante a noite, destruiu exércitos com Josué e com os Juízes, lutou as suas guerras, venceu por eles. Essas experiências vivenciadas solidificaram o conceito de comandante dos exércitos de Israel. Este sentido, sem dúvida, foi adquirido cedo na história de Israel. Os eventos confirmaram esta compreensão: Deus de Israel, Deus dos Exércitos de Israel. Deus Guerreiro, chefe de Guerreiros, SENHOR DOS EXÉRCITOS.

quarta-feira, 24 de junho de 2009



LITURGIA
Liturgia é uma palavra grega que significa - um serviço que é realizado para o benefício público, prestado ao estado ou para uma pessoa. A palavra Liturgia é formada por

“povo” [laos]

“trabalho” [ergon]


Este serviço no ambiente eclesiástico define o rito, a seqüência devidamente elaborada, bem pensada e organizada, de modo a conduzir as pessoas num processo de reflexão, oração, adoração, louvor a Deus, intercessões e memória da fé: história passada, presente, e com vistas ao futuro.

A história passada

Lembra a fé dos nossos antepassados

A história presente

Faz a gente pensar sobre o que faz nos dias de hoje

A história futura

Faz a gente pensar sobre o que estamos deixando de herança para nossos filhos e netos?

Sem história não temos identidade, nem como pessoas, nem como povo.
Sem história não sabemos de onde viemos e nem para aonde vamos.
De certa forma a liturgia faz esta interconexão com estes três tempos e com a profissão de fé.

Liturgia é um importante trabalho para o Culto, para o qual o próprio Deus nos chamou, e exige prévia preparação. Culto é o encontro da comunidade com Deus.

Liturgia é o conjunto de elementos e formas através dos quais se realiza esse encontro

Todos os encontros Celebrativos ou de Culto, são preparados, direcionados para que a comunidade reunida possa expressar-se de maneira "sintonizada" nesta relação pessoal com Deus, com o próximo e consigo mesma.

A preparação considera no mínimo três aspectos:

Calendário Litúrgico: fatos históricos que marcaram a vida do povo de Deus. Por exemplo: Êxodo, Páscoa, Crucificação e Ressurreição, Nascimento de Cristo, etc.

Situação vivenciada atual: tudo o que diz respeito a vida das pessoas, para que possam encontrar na Palavra e na Comunhão a concreticidade do chamado de Cristo que disse: Vinde a mim e recebam alívio, revigorem-se; Aprendam de mim, recebam instruções; Ide... retornem ao mundo e perseverem no testemunhem (Mateus 11.28;29; Mateus 28.19-20).

Calendário Civil: As datas, os eventos da nossa história inserem-se neste processo de pensar e elaborar. Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer fará parte da história; da nossa família, do nosso bairro, cidade, estado ou país. Entra em questão, da mesma forma, saber quais influencias estamos sofrendo, que nos agita, que nos envolve, que interfere e ou incomoda; não obstante a tudo isso, importa saber qual a nossa responsabilidade civil, etc., neste exato momento?
Não podemos ignorar o fato de que somos cidadãos do Reino de Deus simultaneamente Cidadãos com direitos e deveres civis.

Tabela do Calendário do ano da Igreja

ÉPOCA
PERÍODO
CORES LITÚRGICAS
DETALHES


Advento
4 domingos:1º Advento2º Advento3º Advento4º Advento
Violeta
Significa tempo de preparação e espera para celebrar o nascimento de Jesus; mas também lembra a espera pela segunda vinda de Cristo. Com ele inicia o Ano da Igreja. É tempo de vigiar e orar.
SÍMBOLO: Velas, Coroa de Ciprestes


Véspera de Natal
24/dez
Branco
É tradição reunir a família (pais, avós, filhos, netos, etc), para uma noite de festa. Em geral é costume ir primeiro ao Culto da Família, em seguida ir para casa, ter um momento de meditação familiar, depois celebrar a Ceia de Natal e distribuir presentes.
SÍMBOLOS: Pinheirinho, guirlandas, luzes coloridas, velas, estrelas, presentes, etc.


Natal
25/dez
Branco
Dia tradicionalmente em que se comemora o Nascimento de Jesus. Esta data foi oficializada no ano de 570 dC. Neste dia tem Culto na Igreja.
SÍMBOLO: Manjedoura, Estrela, Presentes, Velas


Epifania
Janeiro e Fevereiro
Verde
Começa dia 6 de janeiro e segue por mais 8 domingos (as vezes). Epifania significa aparição ou surgimento da luz, que é Cristo, a Luz que veio ao mundo. Lembramos os magos do oriente que foram visitar Jesus, guiados pela estrela. O primeiro dia da Epifania é comemorado sempre no dia 6 de janeiro.
SÍMBOLO: Estrela; Magos


Quaresma
Inicia na Quarta-feira de cinzas e vai até um Domingo antes da Páscoa
Violeta
São 40 dias antes da Páscoa ou cerca de 5 ou 6 domingos até a Páscoa. É a época de se preparar para a Páscoa. Começa na quarta-feira de cinzas. Cinza é o símbolo de tudo o que é passageiro e transitório; é época de penitência e arrependimento.
SÍMBOLO: Coroa de Espinhos


Ramos
Um Domingo antes da Páscoa
Violeta
Dia em que Jesus entra em Jerusalém montado num jumento e é recebido como Rei pelo povo. As pessoas o saúdam com ramos de palmeiras. É também o último domingo da quaresma.
SÍMBOLO: Ramos (galhos) de palmeiras


Quinta-feira da PAIXÃO
Branco
Noite em que Jesus celebrou a Ceia da Páscoa
e o fez o lava-pés. Noite em que ele é preso e levado para ser julgado, ainda de noite.
SÍMBOLO: ceia


Sexta-feira da PAIXÃO
Preto
Dia em que Jesus está sendo julgado, condenado, executado na cruz e é sepultado.
SÍMBOLO: Cruz


Páscoa
Branco
Dia da Ressurreição de Jesus. É a festa central da fé cristã para lembrar a vitória de Deus sobre o poder da morte e que nós temos a vida eterna e salvação em Jesus Cristo. Passagem da morte para a vida.
SÍMBOLO: Sepultura aberta; cruz sem a imagem de Jesus pregado nela; Coelho; Ovo de Páscoa.


Domingo após a Páscoa
Um ou dois, depende.
Branco
Continuamos a lembrar a ressurreição de Jesus. Um novo tempo começou.
Ascensão
40 dias após a Páscoa
Branco
Dia em que Jesus foi elevado às alturas diante de várias pessoas crentes.
SÍMBOLO: Imagem da Cruz entre o céu e a terra.

Pentecostes
Junho
Vermelho
50 dias depois da Páscoa. Dia em que se cumpriu a promessa do Dom do Espírito Santo doado aos crentes, conforme Atos capítulo 2.
SÍMBOLO: Pomba


Trindade
Junho
Verde
Celebramos que Deus age e se manifesta de três formas: é Pai Criador, Deus é no Filho Jesus Cristo, Deus é no Espírito Santo.


Domingos após Pentecostes
De junho até novembro
Verde
A igreja deve lembrar da sua ação / missão no mundo
Ação de Graças
Geralmente no terceiro domingo de pentecostes, próximo de ou em 25 de junho.
Verde
Nas cidades este é o Dia de Ação de Graças. Nas regiões agrícolas este Dia é celebrado como Festa da Colheita.


Reforma
31 de outubro
Vermelho
Lembra o dia em que Martin Luther expôs suas 95 teses na porta do Castelo / Igreja de Wittenberg e tudo o que aconteceu a partir do movimento dos reformadores para mudar a história do mundo e da igreja.
SÍMBOLO: Rosa de Lutero, Bíblia, letras do alfabeto grego: Alfa e Ômega.


Dia de todos os santos
1 de novembro
Preto
Lembrar dos santos e dos mártires
Finados
2 de novembro
Preto
Lembrar das pessoas que eram crentes e morreram confiando em Deus


ETERNIDADE.
Último Domingo do Ano da Igreja.
Um domingo antes do 1º domingo de advento.
Preto ou Branco
É costume na igreja lembrar das pessoas que se anteciparam a nós na vida eterna. É para enfatizar a promessa da vida eterna, a esperança na vitória da vida.
SÍMBOLO: Cruz; um vela acesa e outra apagada; um ramo verde e outro ramo seco.


SÍMBOLOS ECLESIÁSTICOS / LITÚRGICOSICONOGRAFIA

Um símbolo tem função didático-pedagógica.Um símbolo deve poder dizer o que ele representa, quando a gente o vê. Ele representa e indica alguma coisa importante, sem que seja necessário escrever ou ler. Um símbolo evoca um determinado contexto, uma situação ou faz referência metafórica a fatos. Por exemplo: o sol é o símbolo da vida, da esperança, da luz que ilumina a todos, Deus; a balança é o símbolo da justiça; a água é o símbolo da pureza, purificação.

· Templo (prédio)
· Mesa da comunhão
· Pia Batismal - água
· Porta do templo
· Torre do templo
· Vitrais
· Desenhos / imagens / telas = ICONOGRAFIA
· Velas
· Instrumentos musicais
· Cantos
· Sacristia
· Cruz
· Paramentos
· Talar do Pastor
· Pão e vinho
· Janelas
· Sinos
· Bíblia
· Púlpito
· Flores
· Bancos ou cadeiras
· Decorações

Um Culto deve fazer a gente se sentir bem, ele deve fazer a gente se sentir pertencente a
· uma família maior, que é
· a comunidade de pessoas, de outras famílias
· além da minha família


Este encontro deve ser festejado com
· cantos alegres;
· com orações de petição, de agradecimento, de intercessão;
· deve lembrar que Deus está presente, portanto – devemos adorá-lo com respeito;
· deve ser um momento para reforçar a fé
· e lembrar e nos encorajar na missão da igreja no mundo.


DETALHE IMPORTANTE!


O “dono” do Culto é Deus!
· Pai
· Filho
· E Espírito Santo
Durante o roteiro do encontro muita coisa acontece. Ele “mexe” com a gente e faz alguma mudança em nossos corações. Isto precisa ser repetido´, como um exercício, para nos lembrar de que não estamos aqui para cruzar os braços ou tirar férias prolongadas. Podemos até ter um breve descanso! Mas, em seguida, precisamos seguir em frente com a nossa tarefa, com a nossa missão.

Ensaio Crítico



Texto: Liturgia Ontem e Hoje
Autor: Gregório Lutz



O Texto é de fato objetivo em trazer o conceito de símbolos e seus aspectos antropológicos, a relação do símbolo na historia das religiões e o que mais me chama a atenção e a realidade da liturgia sem linguagem falada e sim através dos símbolos no espaço do culto e do cotidiano sem que a liturgia perca suas funções e valores, pontos relevantes como a santidade da humanidade e a glorificação de Deus através do corpo como símbolo. Corpo que pensa, que se alegra e se entristece, sente prazer e sente dor.

Gregório chama a atenção para a eucaristia, em particular trazendo o significado da presença de Cristo “A ação sagrada diante de nossos olhos não se realiza por força humana”. Citação de João Crisóstomo (pp.26) entre vários autores de peso, nomes como de Paul Tillich e Guardini. A festa da comunidade momento de se alegrar e estar-à-vontade sentir-se livre e a convicção da salvação que Cristo nos traz.


Para nosso debate e Reflexão.

Em nossos dias quais são as características dos símbolos e em nossa liturgia na dinâmica do Culto Cristão?

Quais os elementos que podemos utilizar para a realização de um verdadeiro Culto Cristão? Levando em consideração nossa cultura.

Etimológica da palavra JUSTIÇA



É uma raiz semítica ocidental; em acádico aparece somente em nomes pessoais de origem semítica ocidental e como nome, somente na carta de um rei pré-israelita de Jerusalém. O árabe utiliza sedaqa para expressar, sobre tudo, a “verdade” de uma afirmação, especializando assim o significado; o mesmo ocorre no aramaico judaico e hebraico médio, em que o termo significa “beneficência”. Dentro ainda do hebraico bíblico aparece uma série de novos derivados que se referem a uma justificação, concedida juridicamente no sentido de um juiz que condena da parte de Deus.
Mas, alguns textos, exemplo (Dn. 8.14 e Am.5.7,12, 24) não utilizam o aramaico sdq/zdq para o hebraico bíblico sdq, o qual percebe diferenças do significado, e neste caso sugere empregar a raiz aramaica zkb/zky, deve sustentar o cuidado de fazer deduções dos estados lingüísticos tardios.
No AT, o verbo se utiliza habitualmente em qal, piel e hifil; aparece só uma vez, respectivamente, em nifal (Dn. 8.14, “ser reivindicado em seu direito”) e em hitpael (Gn. 44.16, “demonstrar saddiq”). Nas variações nominais, os substantivos sedeqe (masculino) e sedaqa (feminino) são ao que parecem sinônimos, por que a continuação se trata justamente (cf., sem embargo o intento de estabelecer uma distinção em A. Jepsem, sdq und sdqh im AT. “Sdq se refere a ordem adequada; sdqh, a um comportamento reto que conduz a ordem. Só na época tardia sdq assume a função de sdqh, quando este se concretiza” [no significado “de entregar esmola”]); a este se acrescenta o adjetivo saddiq.
Em aramaico antigo o substantivo sdq e o adjetivo correspondente significam “lealdade” de um rei a um grande sacerdote como servo (bd) diante do seu Deus pessoal a frente do grande rei assírio como “senhor”.
Em fenício só aparece o adjetivo e o substantivo, e se referem exclusivamente a um rei, o príncipe herdeiro. Com estes se expressa o comportamento reto e leal diante dos deuses e reis, que constituem ao mesmo tempo a base de uma larga vida; parece expor, pois, não só uma atitude, mas também um poder duradouro dos bons reis. Não são claras as expressões relativas a um filho – sdq (sem dúvida “filho legitimo, herdeiro”) e um descendente – sdq.

Resumo das três primeiras meditações de Descartes



Descartes para escrever as meditações começa a perceber que todos seus princípios são baseados em falsas opiniões; em opiniões que foram geradas e impostas a partir de consciências facilmente dubitáveis. Para isso ele se esforça para se desfazer destas opiniões para que, através de um rigoroso método analítico, possa realmente estabelecer algo de constante nas ciências.
Esse método rigoroso de analisar a realidade é chamado de ordem das razões. A ordem das razões nada mais é do que a seqüência racional que o pensamento tem como qualidade para poder concretizar algo que antes era uma opinião imposta.
Na primeira meditação podemos ler que Descartes inicia sua argumentação mostrando a possibilidade da duvida mediante qualquer situação, desde a mais duvidosa até a que nos parece mais certa e indubitável, como aquelas que nos são apresentadas pelos sentidos. Ele escreve que é demasiadamente correto afirmar que ele está sentado junto ao fogo, vestido com um chambre; e que seria loucura dizer o contrário, pois é de tamanha certeza que estou aqui que, duvidar disso seria o ato de um louco.
Entretanto, como ele continua sua argumentação, Descartes nos lembra que, quando dormimos e sonhamos, por vezes acreditamos que nossos sonhos são a realidade. Essa crença na realidade do sonho nos é imposta pela fé que temos em nossos sentidos, pois quando sonhamos, assim como quando estamos acordados podemos usar da visão, da audição, etc. e esse uso dos sentidos nos da à impressão que aquilo, sonho ou não, é real.
Com isso podemos entender que independente de qualquer sentimento que temos durante um sonho, o sonho nunca será, nem de longe, a realidade. E assim, a partir do momento que os sentidos se tornam uma ferramenta falha na percepção da realidade, e eles perdem sua credibilidade. E aquilo que seria loucura se duvidar, torna-se razoavelmente duvidoso; e algo que seja minimamente duvidoso deve ser considerado falso, pois se algo falha uma vez, nada me garante que não falhará novamente.
Ainda assim Descartes nos mostra que existem ainda certas coisas que são mais simples e universais. Essas naturezas simples são aquelas que mesmo que estejamos sonhando ou não, serão sempre as mesmas constantes realidades. Essas constantes de naturezas simples são suas quantidades, grandezas, extensões e os lugares em que estão. Descartes nos mostra a certeza destas naturezas simples quando exemplifica que a soma dos números três e dois sempre terá como resultado o numero cinco, e que um quadrado nunca terá nem mais, nem menos, do que quatro lados.
Mas como a primeira meditação é escrita para se desapegar de todas as suas crenças já estabelecidas, e que esse método de desapego através da duvida de tudo o que há é a primeira idéia racional que dará inicio à ordem das razões, Descartes se esquiva destas simples e indubitáveis certezas com uma grande sacada: Deus.
Cogitando a possível duvida até nas coisas mais simples e certas que, independente de estarmos sonhando ou acordados, sempre serão constantes e imutáveis, ele argumenta que para ele há um deus que tudo pode e que por este ele fora criado, e que esse deus pode permitir que ele se engane até com as coisas mais certas e incontestáveis como a soma de dois números. Esse deus, um pouco depois, através de um artifício psicológico, se tornará o gênio maligno. O gênio maligno é um ser todo poderoso que emprega todo seu poder para nos enganar.
Por cogitar a possível existência de um Deus enganador, Descartes conclui dizendo que a partir deste ponto tudo é passível de dúvida.

Descartes, após a primeira meditação, sente-se jogado em profundas águas, como ele mesmo nos diz em sua primeira metáfora na segunda meditação. Essas águas simbolizam as duvidas que ele consegue gerar a partir de seu método; da primeira razão na ordem das razões. Ele assim se sentindo em relação às questões criadas começa a conscientemente usar do ceticismo para suspender temporariamente seu juízo para atingir a segunda razão que seu método analítico lhe da: o cogito.
Julgando como duvidoso e falso tudo o que pode haver, como seu corpo, o céu, a terra, o fogo, o quadrado, etc. ele percebe que ele, Descartes, é. Ele percebe e nisso acredita porque por mais que o Deus enganador possa lhe ludibriar com seu poder, fazendo com que ele acredite que a soma de dois números é simples e incontestável, mesmo não sendo, ele sempre continuará sendo. Enganado ou não, ele sempre é enquanto tem a capacidade de pensar que é.
a partir daí ele conclui que ele é e que ele existe, mas, mesmo assim, nada sabe de si.
Continuando sua rigorosa reflexão, Descartes se aprofunda na exploração do que ele é. Para tal feito ele elimina de inicio a imaginação como ferramenta reflectiva, pois a imaginação, segundo ele, nada mais é do que a contemplação de uma imagem corporal, e tudo o que é corporal fora posto em duvida no primeiro pensamento da ordem das razões.
Mas a imaginação acaba sendo útil quando ele percebe que quando ele imagina, pensa ou duvida, quem está imaginando, pensando e duvidando é ninguém, a não são ser ele mesmo. E por isso é mais firmada, a partir disso, a idéia de que ele é.
Na continuação ele exemplifica, através de um pedaço de cera, a mutabilidade dos corpos e que os sentidos apenas contemplam algo que pode não mais ser o que era¹. Seus sentidos contemplavam uma cera dura, fria, com odor e sabor, e, ao aquecê-la, os próprios sentidos contemplaram a mesma cera, porém com um formato totalmente diferente da primeira. Isso demonstra a fragilidade dos sentidos e que a idéia de cera continua, independente de seu formato. Essa idéia de cera, concebida em seu espírito, que continua independente de seu formato. Essa idéia constante invulnerável as influencias dos sentidos é definida por ele como uma faculdade de concepção que vai além dos sentidos.
Logo após concluir este pensamento Descartes começa a quebrar a norma do senso comum de dizer que vê algo que existe, e começa a utilizar a seguinte expressão: penso que vejo algo que pode existir.
E, concluindo a meditação segunda ele nos apresenta a partir desta reflexão sobre o ver e o pensar que vê que, independente de realmente ver, ou não, ele pode crer que ele, Descartes, vê, ou pensa que vê. E essa é a premissa que fecha seu argumento de que ele é enquanto ser que pensa.

A terceira meditação começa com a investigação acima da existência de algum deus. Esse deus todo poderoso que pode ser enganador e que sem saber se existe, e é enganador, nada de concreto poderá ser concluído, porque qualquer que seja a certeza que encontrarmos, por mais clara e certa que seja, ainda poderá ser obra de um deus que emprega seu poder a nos enganar.
Ele argumenta sobre a origem das idéias que temos, perguntando-se como saber se as idéias que ele tem no espírito correspondem mesmo a uma coisa real fora de seu espírito. Ele nos mostra que quando pensamos que pensamos que vemos algo, ou quando pensamos que sentimos o calor que é emitido pelo fogo, cremos que esta imagem e este sentir nos são criados a partir de um ser externo ao espírito. O fogo como exemplo, está fora de nós e ainda assim sentimos seu calor. Descartes nessa altura da investigação expõe que nos parece que há algo de semelhante no objeto com a idéia, e por isso cremos que essa emissão que é captada pelos sentidos correspondem à realidade do objeto. Mas mesmo com essa semelhança aparentemente clara, há a possibilidade de que o objeto seja algo muito diferente da idéia que temos sobre ele. Ele usa o exemplo do sol para demonstrar a diferença entre um objeto e sua idéia dentro de nosso espírito. A primeira, que o sol, por intermédio dos sentidos, nos parece pequeno. Essa idéia concebemos quando apenas usamos do sentir para analisá-lo A segunda, que o sol, por intermédio da razão, posta na ciência da astronomia, nos mostra que o objeto sol é enorme.
A partir desse raciocínio ele se apercebe que por mais que nos pareça claro e simples, podemos nos enganar com os sentidos até mesmo sem que um deus enganador nos provoque o erro.
Depois disso ele começa a analisar as idéias que ele acredita serem externas e começa a perceber que é possível que todas as idéias que ele pensa serem externas nada mais são do que idéias de seu próprio espírito, e dando seguimento a isso ele nota que dentro de si há a idéia de perfeição, que, para ele, não pode ser criada a partir de um ser tão imperfeito como ele.
Ele acredita que, por essa idéia não ser criada pelo nosso próprio espírito, ela é externa e só pode vir de um ser perfeito: Deus.
Ele continua sua argumentação mostrando a impossibilidade de que a idéia de deus, que é infinito, dentro de outras características, ser criada por um ser finito, e assim ele acredita provar a existência de um deus todo poderoso que tudo criou e que insere nele esta idéia de perfeição. Portanto a idéia de deus é inata, para em Descartes.
A prova da existência de um deus todo poderoso é o terceiro degrau da escada que o método racional e rigoroso de Descartes nos eleva. Fazendo-se a terceira razão na ordem das razões.